A CONSTRUÇÃO E A BENÇÃO DA IGREJA DA FAZENDA (1897-1906)
Segundo se julga saber, a ideia da construção da igreja no então lugar da Fazenda das Lajes deverá ter nascido da sequência da edificação da Casa de Espírito Santo da localidade. Esta terá sido levada a efeito em 1868 por Mestre José Pinheiro da Terra, que nela deixou sobre a coroa de pedra existente na parede do alçado frontal a seguinte inscrição “ 1868 — M.J.P.T.”. Seria natural de Pedro Miguel, ilha do Faial e fixara residência na Fazenda onde deixara descendência, conforme me informou a neta, Eva Pinheiro da Silva, em 17 de Agosto de 2006. Viria a ser a única pessoa a falecer na construção da igreja, ao cair dela durante a sua edificação.
Antes de terem a sua igreja, as populações da localidade da Fazenda, tinham de se deslocar à igreja das Lajes, percorrendo os dois quilómetros que distavam de suas casas, para poderem participar das cerimónias religiosas.
As rivalidades que se foram acentuando à medida que o lugar da Fazenda se desenvolvia e se emancipava, pela autossuficiência e pela personalidade das suas gentes, terão estado de forma decisiva na génese de tão importante e desejada construção.
Contrariando a posição centralista do vigário da vila das Lajes (Comendador Padre Francisco Cândido Dias), terá sido o padre Henrique Augusto Ribeiro, vigário de Santa Cruz , natural dos Cedros do Faial e que mais tarde viria a ser Ouvidor, quem muito se empenhou, defendendo a construção da nova igreja. Terá sido ele o primeiro, numa nota que redigiu para o Jornal O Ocidental que se publicava em Santa Cruz, a 5 de Junho de 1896 a dar a notícia: “Na Fazenda, da villa das Lagens pretendem fazer uma igreja…”.
Além de pequenas notícias que o referido Jornal (1896-1900) publicava, outra fonte importante sobre a obra é o livro onde se escrituraram as despesas com as obras e que fazem parte do arquivo da igreja.
Para o ouvidor das Lajes daquele tempo, Padre Francisco Cândido Dias, a criação de um curato no lugar da Fazenda não era obra simpática, certamente pela perda de receitas que tal implicava nos cofres da Matriz. Esta a razão principal pela forma tardia com que a emancipação canónica da Fazenda se veio a efetivar (10 de Novembro de 1959), cinquenta anos após a criação civil da freguesia.
Terá sido Tesoureiro da Comissão encarregada da construção, António José Trigueiro, coadjuvado por José de Freitas.
A primeira “Subscrição para a Egreja do Senhor Santo Cristo dos Milagres da Fazenda das Lajes”, foi publicada no Jornal Ocidental de 21 de Novembro de 1896.
Visto que nesse tempo crismavam quase todas as pessoas de uma localidade ( as visitas dos Bispos eram muito espaçadas), pelo registo de crismas dessa época, supõe-se que o lugar da Fazenda deveria ter por essa altura aproximadamente 500 pessoas, população que mais tarde viria a aumentar substancialmente.
Os terrenos para edificação da igreja foram adquiridos a Maria do Rosário Vieira e “pagou-se pelo terreno da igreja 550.000 réis”, a primeira despesa que consta do livro competente.
O projeto da obra, deverá ter sido baseado no da igreja da Lomba — já então concluída, e terá sido beneficiado por algumas correções das proporções espaciais do mesmo. De acordo com o mesmo livro, ter-se-á pago pela planta 75.000 réis.
A bênção da primeira pedra teve lugar a 1 de Agosto de 1896, aproveitando-se para o efeito a passagem pela ilha do Bispo de Angra Dom Francisco José de Vieira e Brito, que com grande comitiva e muitos sacerdotes das Flores, terá reservado um dia só para esse fim. As cerimónias que terão começado pela manhã e se concluíram pelas 3 horas da tarde, foram participadas por muito povo da ilha e teve como orador convidado pela Comissão, o Padre Henrique Augusto Ribeiro.
Pregou Monsenhor Cónego António Maria Ferreira, que fazia parte da comitiva do prelado e que na sua exortação terá dito: “ Deus providenciará e dará ao povo abundantes colheitas” e ao terminar: “Avante, avante meus irmãos que a obra é de Deus e de Deus há-de ser…”. Consta-se que apesar de todos terem estado muito ocupados com a obra da sua igreja, as colheitas foram de facto, sempre muito abundantes.
A 25 de Fevereiro de 1897, novamente o jornal O Ocidental, dava conta de uma grande subscrição a favor da nova igreja, cuja construção se prevê que tenha arrancado nesse mesmo ano. Foi seu mestre principal João Jacinto Teixeira (que era o mais bem pago). Pensa-se que o projeto foi de Fernando Jacinto de Mendonça, o único especialista na matéria, nesse tempo, que terá procedido à sua elaboração com base no projeto da igreja da freguesia vizinha da Lomba.
Outros mestres ainda: António Moreira Serafim, Mariano Inácio Martins, José Latoeiro, José Pinheiro da Terra e Bento e outros. Mestre Mariano que era natural de Água d’Alto de São Miguel, tal como mestre Serafim , era o encarregado das pedreiras. Supõe-se que podem ter sido estes dois mestres os promotores da escolha do Patrono – Senhor Santo Cristo dos Milagres, devido à forte influência do culto micaelense de onde eram oriundos, embora se ache igualmente que o Padre Ribeiro tenha sido em tudo e também nessa matéria o grande impulsionador de tal opção, inclusive na escolha da imagem com a representação do Senhor Crucificado.
O jornal O Ocidental de 15 de Maio de 1897, publica na primeira página a seguinte notícia: Chegou no Açor, a formosa imagem do Sr. Santo Christo dos Milagres, destinada para a nova igreja da Fazenda das Lajens desta ilha. A imagem, de tamanho natural, é verdadeiramente primorosa e já se acha em exposição na Matriz desta vila, onde brevemente será benzida, sendo depois conduzida para a Fazenda das Lajens, por ordem do sr. Bispo e exposta à veneração dos fiéis na casa de Espírito Santo, até que seja construída a igreja…
O Padre Henrique Augusto Ribeiro, no jornal O Ocidental de 25 de Julho de 1897 de que era diretor, descreve da seguinte forma a chegada da imagem do Senhor Santo Cristo à Fazenda:
No dia 18 do corrente foi conduzida para a Casa de Espírito Santo da Fazenda das Lajens e ali exposta a veneração dos fiéis, segundo as ordens do Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Bispo diocesano, a veneranda imagem do Senhor Santo Christo dos Milagres.
Como já aqui tivemos ocasião de noticiar a dita santa imagem foi solenemente benzida na Matriz desta villa, celebrando-se por essa ocasião uma devota festividade em sua honra com numerosa assistência de fiéis.
A imagem feita pelo hábil escultor José Soares d’Oliveira, do Porto, é um trabalho primoroso, que muito honra o seu autor.
A princípio pensou-se conduzi-la por terra, afim de que colocada no respetivo andor, à entrada da povoação pudesse lá entrar como em thriunfo. Ultimamente porém, motivos de prudência aconselharam mais fácil, mais comodo e melhor meio de transporte. Optou-se pela viagem por mar.
Para isso no dia 18 pelas 10 horas da manhã, chegavam embarcações das Lajens que juntas com os botes daqui formaram uma linda flotilha de quinze pequenas embarcações.
A caixa onde se achava encerrada a veneranda imagem fora coberta com uma colcha de seda e sahiu da Matriz por volta das onze horas acompanhada de muito povo, que cantava com o maior fervor o Hynno do Perdão.
No cais das Poças foi descida para o novo escaler do Exmo sr. Fernando Jacinto de Mendonça, tão generosamente cedido por ele para esse fim ao Vigário desta vila.
A viagem foi esplêndida. Acompanhavam a sagrada imagem vários cavalheiros desta vila dando assim mais uma vez publico e solene testemunho da sua fé e sentimentos religiosos.
Entre outros recorda-nos ter visto os Exmos senhores James Mackay, José Constantino da Silveira e Almeida, António Gabriel Soares, José Ignácio de Figueiredo, Arthur Augusto Ribeiro, António Joaquim de Braga, José Armas, Roberto Fernando Armas, Manuel Lourenço Saramago, António José Malheiros e João Peixoto.
No fim de hora e meia estávamos no porto das Lajes, cujas imediações se encontravam repletas de grande número de pessoas. Uma salva de morteiros e muitas dezenas de foguetes saudaram o desembarque da veneranda Imagem, que pouco depois seguia para o lugar do seu destino.
Na Fazenda, as ruas achavam-se muito enfeitadas e alcatifadas de flores e ramos verdes, viam-se também muitos arcos e bandeiras dando à povoação um aspeto de alegria e regozijo festival.
Quando a veneranda Imagem foi colocada no altar e se abriram as portas, o júbilo foi indiscritível.
Prostraram-se todos de joelhos e cantou-se o Hynno do Perdão com grande entusiasmo e fervorosa devoção.
Depois o Reverendo Vigário de Santa Cruz leu a Provisão do Excelentíssimo Bispo e concluiu por dizer que se achavam compridas as ordens do Sr. Bispo, deixando ali exposta a veneranda Imagem daquele Senhor, que do alto da sua cruz lhes ensinaria a paz, a paciência, a humildade, a caridade e finalmente todas as virtudes, porque Ele era o Rei das virtudes e o Santo dos Santos.
Que continuassem a trabalhar com santo fervor na construção da sua igreja, porque o Senhor Santo Cristo não deixaria de dar lugar no céu àqueles que se empenhassem para que na terra houvesse mais um templo aonde fosse adorado em espírito e verdade.
Em seguida começaram os devotos a apresentar as suas dádivas.
Era realmente consolador e comovente ver a santa solicitude com que todos procuravam aproximar-se do altar para ali depositarem as suas ofertas.
Vimos um filho daquela povoação que há pouco chegara da América depositar a importante quantia de 14 águias em ouro.
Que o Senhor Santo Christo tome posse para sempre daquela Fazenda tão piedosa, reinando nos corações de todos os seus habitantes e dando-lhes a sua graça no tempo e na eternidade.
Na provisão do Bispo, além da indicação do lugar onde ficaria a imagem, era indicado para o ato da sua bênção o ouvidor do concelho das Lajes, Padre Cândido Dias e em impedimento o ouvidor de Santa Cruz, Vigário Henrique Augusto Ribeiro, que foi quem de facto procedeu à bênção, ficando assim uma vez mais provada a animosidade do Padre Cândido em relação à construção da Igreja da Fazenda.
A obra foi-se fazendo. A construção das paredes e do corpo da igreja, que constitui a primeira fase da obra, aproximava-se do fim, não obstante ainda faltar a capela mor e a sacristia.
No mesmo jornal O Ocidental de 15 de Março de 1899, descreve-se da seguinte forma o “Milagre da Madeira” , assim chamado pela forma improvável como foi solucionado:
Bem dito seja Deus! As obras do novo templo estão adiantadíssimas. Brevemente tudo se concluirá para maior honra e glória do Senhor Santo Christo.
O dinheiro em ouro que nos últimos meses tinha sido oferecido ainda se não havia trocado por prata, porque estava destinado a comprar as madeiras que deviam vir da América. E quando se tratava de remeter as aguias para a grande republica dos Estados Unidos afim de se comprar a madeira precisa, eis que aparece enxurrada nos Fanaes desta Ilha uma grande barca, carregada de excelente madeira, que serve maravilhosamente para o fim desejado. E já serrada e na grossura precisa e prompta, como se queria!
Bendito seja Deus! Repetimos. “Digitus Dei est hic’”( aqui está o dedo de Deus).
O aparecimento inesperado dessa madeira, proveniente da Barca Brilhant, naufragada na costa das Flores e o preço simbólico com que ela acabou por chegar à obra, foram considerados por muitas pessoas como um milagre. Segundo se conta, foi adjudicada na Alfândega, sem qualquer outro concorrente que se mostrasse interessado por um preço quase simbólico, tendo em conta que custaram apenas 420$000 réis e eram 15 mil pés de madeira.
No ano de 1900, em Junho, verificou-se o acidente que vitimou o mestre Pinheiro, quando este numa fase de acabamento do corpo da igreja, caiu de um andaime instalado na parte superior da mesma.
A 10 de Junho desse mesmo ano de 1900 ,ainda com a igreja muito incompleta, num altar improvisado para o efeito o ouvidor e pároco das Lajes Filipe José Madruga (natural do Pico) celebrou a primeira missa dentro do templo, sendo orador o Padre Manuel Martins, vigário da Fajazinha, grande pregador sacro, considerado o primeiro da ilha, como referia então o Boletim da Academia Mariana dos Açores. Foi uma ocasião diplomaticamente criada pelo Padre Ribeiro para se terminarem as hostilidades entre a Fazenda e as Lajes, criadas pelo antecessor Padre Cândido Dias.
INAUGURAÇÃO DA IGREJA
A chegada à localidade da Fazenda do Padre Francisco Christiano Korth, recentemente nomeado para essa igreja, teve lugar a 13 de Fevereiro de 1906, mas a sua entrada oficial fez-se ainda para a vila das Lajes. Este, que era natural da Caveira, onde nascera a 31 de Julho de 1881, concluíra o seu curso em 1905 no Seminário de Angra, onde fora um dos melhores alunos, conforme se pode verificar através do Boletim Eclesiástico dos Açores dos últimos anos em que estudou.
A inauguração da igreja ocorreu a 25 de Março de 1906, já reunindo as condições indispensáveis à realização dos atos de culto. Ainda faltavam os altares e os respetivos retábulos como se pode verificar no “Auto de Visita e Benção” onde se descreve com pormenor o estado da obra nesse momento.
Na missa solene de inauguração, o Padre Korth, que foi o celebrante, viria a ser acolitado pelos padre José Francisco de Matos e António José de Freitas Avelar. Ele próprio foi o pregador, que o terá feito de modo arrebatador, como afirma o Padre Júlio da Roda no seu escrito na Estrela da Manhã, publicação da Academia Mariana dos Açores (Ano I, Nº. 1 Horta 1992, pag.137).
O retábulo e a obra de talha do Altar-mor foram feitos durante o ano de 1907 e 1908 pelo entalhador e artista faialense conhecido por “Ratinho”, que nos primeiros anos do século XX tinha oficina na cidade da Horta. Seu nome correto era Manuel Augusto Ferreira da Silva, irmão do Padre João Pereira da Silva. Pelo dito retábulo terá sido paga ao artista, 100.000 réis, pagamento que lhe foi efetuado a 9 de Abril de 1906.
Os altares laterais tiveram como artistas os marceneiros Manuel Maria da Costa e José Maria da Costa, ambos irmãos, naturais e residentes em Santa Cruz das Flores e foram habilmente construídos em 1910. A pintura e o douramento dos mesmos estiveram a cargo dos artistas terceirenses Cunha de Braga e Félix, trabalho esse realizado em 1910.
O coro, o púlpito, o guarda-vento, o sobrado, o teto, as grades divisórias das diversas zonas da igreja e foram feitas com madeira de pinho resinoso, proveniente da Barca Brilhant que em Fevereiro de 1899 havia encalhado no lugar dos Fanais. O altar versus-poppulum atual, o ambão bem como alguns castiçais e suportes para flores foram feitos, recentemente, aproveitando essa madeira centenária.
Em requerimento de 10 de Janeiro de 1910 o cura da Fazenda, Padre Francisco Christiano Korth, solicitava ao Bispo de Angra, autoriz
Os altares laterais tiveram como artistas os marceneiros Manuel Maria da Costa e José Maria da Costa, ambos irmãos, naturais e residentes em Santa Cruz das Flores e foram habilmente construídos em 1910. A pintura e o douramento dos mesmos estiveram a cargo dos artistas terceirenses Cunha de Braga e Félix, trabalho esse realizado em 1910.
O coro, o púlpito, o guarda-vento, o sobrado, o teto, as grades divisórias das diversas zonas da igreja e foram feitas com madeira de pinho resinoso, proveniente da Barca Brilhant que em Fevereiro de 1899 havia encalhado no lugar dos Fanais. O altar versus-poppulum atual, o ambão bem como alguns castiçais e suportes para flores foram feitos, recentemente, aproveitando essa madeira centenária.
Em requerimento de 10 de Janeiro de 1910 o cura da Fazenda, Padre Francisco Christiano Korth, solicitava ao Bispo de Angra, autoriz
ação para conservar permanentemente a Eucaristia na respetiva igreja, a qual foi concedida por Despacho de 3 de Maio do mesmo ano pelo então Bispo de Angra Dom José Corrêa Cardoso Monteiro.
DE CURATO A PARÓQUIA
A elevação do lugar da Fazenda a título de curato foi feita logo depois da inauguração da igreja. Ainda hoje não se entende o motivo porque o Padre Korth não tenha promovido a sua elevação a paróquia, sobretudo a partir de 1919, quando a localidade passou a freguesia. Essa proeza coube ao Padre José Vieira Gomes (pároco a partir de 1949) que a 10 de Novembro de 1959 conseguiu do Bispo D. Manuel Afonso de Carvalho a ereção canónica a paróquia do então Curato da Fazenda, que a partir dessa data ficaria desligado da paróquia mãe de Nossa Senhora do Rosário de Lajes das Flores.
ALVARÀ DA ERECÇÃO CANÓNICA DA PARÓQUIA DO SENHOR SANTO CRISTO DA FAZENDA
Dom Manuel Afonso de Carvalho, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica Bispo de Angra e Ilhas dos Açores
Aos que esta Nossa Carta de Sentença virem saúde, Paz e Bênção em Jesus Cristo Nosso Divino Salvador;
Fazemos saber que, tendo-Nos sido pedida a erecção da paróquia do Senhor Santo Cristo da Fazenda, Ouvidoria das Lajes, Ilha das Flores, depois de observados os trâmites de estilo, Demos e Proferimos nos respectivos autos a sentença do teor seguinte:
“In Nomine Domini. Ámen”
Considerando que o Curato do Senhor Santo Cristo da Fazenda, Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, Ouvidoria das Lajes, Ilha das Flores, desta Diocese, tem uma população de seiscentos e setenta habitantes;
Considerando que existe neste Curato uma igreja ampla, dotada de todas as alfaias para o culto;
Considerando que há dificuldade em a população se deslocar à igreja paroquial das Lajes que dista cerca de três quilómetros;
Considerando que não é possível atender-se ao bem espiritual de tão grande número de fieis, conforme o can.476;
Considerando que os habitantes do referido Curato se comprometem a contribuir com o necessário para a sustentação do culto e dos seus ministros, segundo o can. 1410;
Tudo visto e ponderado, depois de ouvido o Cabido da Sé Catedral e todos os interessados,
Havemos por bem:
Desmembrar o Curato do Senhor Santo Cristo da Fazenda da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e erigi-lo com todos os direitos, privilégios e deveres expressos no Código do Direito Canónico, sendo considerada paroquial a igreja dedicada ao Senhor Santo Cristo;
Determinar os seguintes limites: a linha divisória é ao sul a grota do Telhal, desde a Rocha do Mar até à Pedrinha; daqui segue em linha recta até às Pedras de Alface, passando através dos prédios de João Gomes Vieira, herdeiros de João Maurício de Fraga, herdeiros de António José Armas e José Trigueiro Gomes e José Pereira Gomes, Jerónimo Gonçalves Trigueiro e António Coelho Gomes e Floriano Rebelo; da Pedras de Alface segue em linha recta até à Boca do Cruzeiro através do prédio de Floriano Rebelo. Ao oeste segue da boca do Cruzeiro até à Caldeira da Lomba passando pela vereda da Lama e pelo prédio de Jorge Gomes de Fraga, situado entre o Rochão do Junco e a Ladeira da Caldeira da Lomba. Ao norte, desta Ladeira da Caldeira da Lomba, segue em linha recta até à nascente da Ribeira Funda passando através do Baldio, denominado Horta do Calixto e pela Ribeira Funda segue até à sua foz na Rocha do Mar. A leste segue pela Rocha do Mar, situada entre a foz da Ribeira Funda e a foz da grota do Telhal incluindo o Pesqueiro, a Ponta do Capitão e a Baixa Comprida.
Nomear como Pároco o Reverendo Padre José Vieira Gomes , com o título de Reitor.
Passe-se instrumento da Sentença, na forma do estilo, e seja publicada no Boletim Eclesiástico dos Açores e no Jornal “A União”.
Angra do Heroísmo, 10 de Novembro de 1959
Manuel Bispo de Angra